14 de novembro de 2015

Sopa de Letrinhas: Muito mais que 5 minutos (Kéfera Buchmann)

A resenha de hoje é polêmica ! Pelo menos eu acho que talvez seja.


Hoje vou falar sobre o comentadíssimo livro que a youtuber Kéfera lançou na última Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Ele foi muito comentado não por seu valor literário mas acima de tudo por ter sido lançado por um dos maiores sucessos da internet atual bem como pelo fato dela ter atraído uma legião de fãs à Bienal a procura do seu livro e da chance de estar perto da autora. 


Aliás, na época, pouco se falou sobre o quanto o livro realmente valia a pena. As notícias discorriam apenas sobre o lançamento e sobre as imensas filas que se formaram por um autógrafo. Mas afinal, e que tal o livro ?

Antes de tudo vamos ao assunto: no livro, Kéfera conta um pouco da sua história além dos 5 minutos. "5 Minutos" é o nome do seu canal no Youtube, onde Kéfera grava vídeos de opinião e humor escrachado. Ela atingiu um patamar que não é tão facilmente atingido por youtubers mulheres que falam sobre assuntos que fogem do tema moda e beleza. O mundo do humor no youtube há anos é dominado por ídolos masculinos. Kéfera chegou pra balançar isso tudo.



No livro ela conta sobre a sua trajetória antes do canal .. da infância até o dia em que publicou seu primeiro vídeo no youtube. Mas é sobre a vida dela, sua infância, sua escola, sua família ? Nãooooo. Embora todos esses assuntos de alguma forma apareçam no livro, majoritariamente ela fala sobre sua vida escolar e seus dramas de adolescência por conta do sobre-peso e o bullying sofrido na época. E esse assunto é ou bem explorado ou em alguns momentos apenas inserido ou lembrado quando ela discorre sobre outros fatos da sua vida.

Não digo que o livro inteiro seja sobre isso. Mas pelo menos até 2/3 do livro  seus complexos quanto a própria aparência são um tema preponderante. Kéfera tem a intenção de tratar do tema com seriedade mesmo inserindo vários palavrões no meio do texto, como já é seu de praxe. Eu particularmente achei o livro muito forçado. Não me convenceu principalmente por conta da incongruência que encontrei entre sua idade e seus questionamentos sobre aparência. Parecia até que ela estudava numa escola católica na Alemanha, pra se sentir tão diferente por ter cabelo castanho e não alisado aos 5 anos de idade.


Na minha concepção, o forçar da barra no livro é intencional justamente por Kéfera conhecer bem seu público, que é composto também por uma imensidão de adolescentes. E adolescente é assim né ... precisa de referências pra se espelhar. Que tal então descobrir que aquela youtuber que você ama se sentia feia, burra e incompetente antes da fama ? E que tal ainda descobrir que ela também quase não tinha amigos e nenhum garoto queria ela ? Ou ainda que os professores a odiavam ? E que a escola era horrível ? Parece bem atrativo, não é ?

Comigo não teria colado nem na minha adolescência, pois mesmo eu nunca tendo sido popular, nunca ter sido almejada, não ser rodeada de amigos, eu amava o colégio. E olha que também tive minhas fases de sofrer bullying mas consigo olhar pro passado e lembrar de MUITO mais que isso. Mas a impressão que a Kéfera dá no seu relato é que ela foi uma pobre sofredora, massacrada na sua escola e complexada até o último fio de cabelo e parece que todo mundo em volta dela era muito melhor do que ela. E ela tinha essa sensação desde muito novinha. O que te faz pensar o quanto de bullying tem ali e o quanto de sérios problemas psicológicos decorrentes de inseguranças prévias já não estavam formados, a ponto dela enxergar as coisas de maneira tão ampliada ao longo da vida escolar. Ou o quanto ela queria apenas fazer um livro pra conquistar ainda mais seu público, "floreando" seus complexos, ou os hiper-valorizando, pra criar mais empatia com a meninada. Coisas que nunca saberemos .. somente ela pode um dia ter essas respostas. Talvez nem ela mesma saiba.

Antes e Depois

Mas e outros temas são abordados no livro ? Como eu disse, sim, de certo modo. Ela faz alguns relatos sobre peripécias amorosas, geralmente desastrosas. Fala sobre suas dificuldades escolares, sua negação com várias matérias. Também há alguns relatos inseridos de forma tão aleatória que te faz pensar se alguém revisou esse texto pra ela ! A inserção dos relatos sobre a depilação com certeza envolvem muito mais o sucesso que o vídeo correlato dessa história fez no youtube (quem assistiu, com certeza lembra dele) do que uma coerência com todo o restante do livro. Coerência textual: ZERO. Ela relata outros assuntos no decorrer de uma linha cronológica onde a temática constante é obesidade, bullying e os traumas decorrentes no decorrer de mais da metade do livro. Que é parte que fala sobre a infância basicamente. Depois disso, chegando na fase da adolescência e entrada da juventude, assuntos românticos começam a se sobressair e toda uma "auto-ajuda" se aflora pra que o leitor não se sinta sozinho ao achar que vai morrer por conta de amores não correspondidos.



Acho que pros adolescentes o livro é bárbaro. Imagino que esses fãs vão se encantar com a leitura ao se descobrir mais próximos da Kéfera, reconhecendo-a como um ser "gente como a gente". Fora isso ... a leitura é difícil de engolir.


Resumindo, as histórias são bem pouco interessantes (é importante frisar que você não precisa ter uma vida de aventuras pra fazer de suas histórias, experiências gostosas de ler - basta ler a resenha sobre o livro Man Repeller que postei recentemente. A blogueira Leandra dá um show ao fazer interessantes associações entre a moda e situações banais da sua infância e adolescência). Mas a obra da Kéfera é mau-estruturada e embora prometa falar mais da youtuber na sinopse, fala quase só dos seus problemas emocionais decorrentes do bullying. É uma surpresa não ter relatos sobre vivências familiares, exceto por algumas poucas  referências à mãe em alguns relatos. Por mais que o trauma tenha sido forte na vida dela, não faz sentido ela não ter inserido mais informações e relatos sobre sua infância e adolescência. A vida é mais do que a escola, ou não ? Será que ela não tinha primos ? Nada pra falar sobre natais ? Nada de feliz ? Nenhuma arte que aprontou em casa ? Alguma viagem bacana ? Nada sobre sua cidade ? Nenhuma morte marcante na família ou amigos ? Nada de nada ? Somente: "ohh, que inferno é a escola" ?! Como eu disse, um ótimo livro pra vender pra adolescentes.

Enfim, eu penso que não é possível que a pessoa não tenha mais histórias pra contar ! E se era pra focar quase só nos seus traumas por conta da obesidade e por não ser loira (fiquei pensando sobre a legião de pessoas massacradas pelo trauma que temos então na nossa convivência, já que as loiras ainda são uma minoria - deveria pensar que a maioria das pessoas são traumatizadas ?), acho que o livro deveria deixar isso claro na sinopse. Enfim, achei o livro muito mal-feito. Não acho que seja culpa da Kéfera, que não é escritora. Defendo nesse ponto ela porque realmente sou fã (senão eu não teria comprado o livro) mas também faltou muito senso de quem assessorou ela na produção do livro.

Aí você pode falar: "- Paty, eu li o livro. O livro é recheado de histórias ! Você não viu ? Nem é assim só de bullying .."

Sim, verdade, o livro é recheado de histórias. No entanto no decorrer delas a uma recorrência tão grande do assunto, ainda que na forma de uma fala, de uma brincadeira, de uma pequena lembrança, de um trechinho ... que parece que o livro é só sobre isso". Provo:

Trechos: baixa auto-estima e bullying sofrido

O capítulo 1 começa na página 25. Eis que:



Pág. 27 falando sobre seu primeiro dia na escola: "... Porque primeiro dia de escola sem sofrer bullying não é primeiro dia de escola. ..."

Pág 28 ainda sobre a escolinha: ".. Foi com sete anos que eu comecei a perceber que eu era meio diferente das outras garotas da classe. Elas tinham o cabelo liso e comprido, enquanto o meu parecia uma vassoura de palha. Eram loiras, eu tinha o cabelo castanho. Elas tinham olhos claros e eu, escuros. Elas eram mais baixas, eu, mais alta. Elas eram magras, eu estava acima do peso. ..."

Pág 29. : ".. Não demorou muito para o pessoal da minha classe me escolher como objeto de zoeira... " ... e segue .. ".. Os meninos começaram a me perseguir, passando a me dar apelidos muito "carinhosos", como: balão, rolha de poço, saco de areia, balofa, pneu de trator, bolo fofo, pudim de banha ..... " e cita vários outros.

Pág. 37: ".. E eu me acostumei com o bullying que rolava naquela escola ..... ". " Se mudasse para outra, uma terceira, teria que passar por tudo aquilo de novo, esperar para ver quem seria o babaca da vez. .."

Pág 45.: " Por causa dos apelidos, xingamentos, ofensas e discriminações por ser gordinha, acabei me isolando. Cresci sendo uma criança insegura. .. "

Pág 49.: ".. Mas no meu caso a zoeira nunca tinha fim."

Pág. 50: " Já começou tudo cagado: eu não era loira, tinha oito anos e minha mãe jamais deixaria eu mudar a cor do meu cabelo com aquela idade. .."

Pág. 61: "Vivia me escondendo, usando blusas e camisetas largas ou me enrolando em toalhas de banho ... e ficava em casa chorando por não me sentir igual às outras. .."

Pág 72.: " Com dez anos eu estava mais preocupada em ganhar um cachorro do que em ter um namorado. E também comecei a ter mais problemas com meu corpo, fui ficando cada vez mais insegura e com a autoestima lá no pé. " ... "Eu era sempre o patinho feio da história..".

Pág 74. : "Eu era a esquisita do colégio.."

Pág 81.: "Enquanto isso, minha autoestima só piorava mais e mais. Além de gorda, feia, descabelada e excluída, eu era burra e só tirava notas ruins. .."



Aí sim no terço final ela enfoca outros assuntos, principalmente a versão "auto-ajuda da Kéfera".

Também não posso deixar de citar aquele que pra mim é o principal defeito do livro: falta fluidez de escrita. A linguagem é um horror. Ela faz relatos, seguidos de interrupções para piadas escrachadas forçadas, pra logo depois inserir um "papo sério" sobre o quanto o bullying é prejudicial e em alguns momentos inclusive insere dados ou dicas mau contextualizados pois a própria linguagem adotada até então "se quebra". Se ela quisesse colocar ao fim do livro, ou criar uma posição adequada pra inserir aquelas informações no livro, poderia não ficar tão mau posicionado. Mas ela quebra totalmente sua estrutura de escrita pra "bancar a que se importa e quer o bem de quem sofre com o bullying" com uma escrita rígida e destoante do texto. 

Eu não entendo de estilo literário; eu entendo de ler um livro e gostar ou não e conseguir passar algumas opiniões pessoais sobre os livros que leio pra vocês. Mas a impressão que tenho é que aquele tipo de escrita nem existe. Enfim, as pessoas são livres pra escrever como quiserem mas é fácil ler o livro e perceber que se parece muito com as falas dos próprios vídeos dela. Como se ela tivesse ligado uma câmera, gravado o que queria pôr no livro e depois alguém apenas transcreveu. E aí você se dá conta que essa não é a melhor forma de escrever um livro.

Realmente, a qualidade do livro é MUITO ruim. Apesar de admirar a trajetória dela, a história dela no youtube e ser inscrita no canal dela e assistir muito seus vídeos ... não vou ficar babando ovo ! 

Talvez para os adolescentes (que é uma turma grande de fãs dela) o livro seja apropriado. Ou de forma geral pessoas não habituadas a ler, com conhecimento literário bem precário e com personalidade ainda em formação .... pois fica mais fácil se reconhecer nas falas da Kéfera no livro e a empatia fica assim formada. Não me surpreenderia se o livro fizer sucesso nesse público. Mas fora isso, é difícil engolir a "obra".

Mas então Paty, você acha que a Kéfera tem uma mente adolescente ou é burrinha ou tem conhecimentos precários pra escrever um livro melhor ? Muito pelo contrário, talvez ela tenha feito o livro nesse "tom" exatamente pra que a massa do seu público pudesse se identificar com ele. Porque quem acompanha os "bafafás" que rolam envolvendo o twitter, face ou o próprio youtube da Kéfera, observa os comentários dos seus fãs, facilmente identifica que o público dela tem algumas particularidades nesse sentido como a dificuldade pra identificar sarcasmo ou ironia textual ou mesmo a falta de habilidade na compreensão de textos. É só acompanhar os comentários pra você ter uma ideia de como se comporta a massa (eu disse, a massa ! não são todos) dos fãs.

Quanto a leitura em si, o livro é fácil de ler e concluí em 2 dias. Mas é a leitura mais dispensável do mundo. Você pode ser fã e usufruir de coisa incríveis que a Kéfera produz sem perder tempo com esse livro. Agora, se você é fanático por ela: vai lá, compra e bota na prateleira, até porque o livro é recheado de umas fotos muito gracinha.

Dizem que ela logo lança outro. Ela mesma promete isso ao fim do livro. Bom, sobre o que será é uma dúvida ... com certeza temas não faltarão. Afinal, neste ela limitou-se muito no assunto. De qualquer forma, com a legião de fãs insandecidos por seu trabalho, é possível que eles nem se importem com o que venha escrito no próximo. Não duvido que as filas para autógrafos sigam longas.

Que livro ? Muito mais que 5inco Minutos
Quem escreveu ? Kéfera Buchmann

E a editora ? Companhia das Letras
Do que se trata? É um livro auto-biográfico, que conta um pouco mais sobre a vida da Kéfera antes do canal "5 minutos" que ela administra no Youtube. Basicamente discorre sobre suas inseguranças e deboches sofridos quando criança por conta da aparência, bem como pincela outros assuntos como primeiros amores, dificuldades na escola, etc.

É bom ? Me perdoem os fãs, mas é péssimo. Conclui a leitura por conta do meu amor pelo seu trabalho e minha admiração pela sua trajetória, mas é realmente um livro bem ruinzinho. 
Fácil de ler ? A leitura é fácil mas a construção literária é bem mal organizada. A escrita é fraca, os textos não convencem e as inserções supostamente humorísticas ou sarcásticas são forçadas.

Recomenda ?  Se você é um ávido fã da Kéfera, é possível que curta conhecer esse lado da infância dela. Eu particularmente não pretendo comprar um próximo volume, a menos que me convença que ela tenha melhorado como escritora. Eu não comprei o livro "pra ver um vídeo no youtube". Ela escreveu como se assim estivesse trabalhando. Um livro deveria ter outro propósito. E acho que esse não convenceu.





E era isso ! Bjkinhas de Pimenta.

10 comentários:

  1. Oi, Paty, aqui é a Mandy (não sei porque minha conta do blog fica como Amanda.
    Adorei sua resenha, muito bem escrita e madura. Uma verdadeira resenha de potencial crítico, estou muito feliz por saber que posso encontrar livros aqui no seu blog. Há muitos blogs literários que produzem conteúdos raros e me sentia carente de análises mais profundas.
    Eu nunca tive interesse no livro, mas tinha algumas suspeitas e quis vir aqui pra ver se sua opinião as confirmariam. E sim, é tudo o que imaginava. Ainda estou lidando com essa ideia de legitimar seu sucesso merecido após um passado tão terrivelmente sofrido. Não estou questionando a carga emocional que cada um deve ter com problemas ao longo de sua vida, mas às vezes me pergunto se não há uma supervalorização disso pra cativar mais um público, especialmente o infanto-juvenil. Enfim, amei seu texto! Parabéns pela qualidade!

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    1. Oi Mandy ! Que alegria ter vc por aqui. Pois eu acredito que o ponto principal é bem este: uma super-valorização pra conquistar o público. E se ela vendeu tudo que vendeu sem ninguém nem saber do que se tratava, imagina um próximo onde ela reforça essas ideias de auto-ajuda na galera. A leitura é fácil pra eles tbém, favorece novas vendas. Obrigada pela sua presença e pelos elogios, vindo de vc, é muito gratificante, admiro mto seu trabalho. Bjs !

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  2. Nossa, aplausos! Uma das poucas pessoas que gosta dela e fala que o livro é bosta (tbm achei uma bosta), nem sei o que dizer, vc ja disse tudo 👏🏼👏🏼👏🏼

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    1. Oi Maíra ! Então, as pessoas acham que pra ser fã vc tem que apoiar tudo que a pessoa faz. Acho que como tudo na vida, temos que filtrar aquilo que realmente é útil ou prazeroso realmente. E esse livro foi sofridinho pra ler hehe. obrigada pela sua visita, um bj !

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  3. Tu falou com tanta propriedade do assunto, descreveu a sua opinião sem agredir ou ofender a autora. Muito bom aplausos para quem consegue fazer uma crítica construtiva sem diminuir ninguém. Adorei, virei fã de ti.

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    1. Nanda, que bom que gostou, realmente, tive muita preocupação que as pessoas não confundissem meu desgosto com o livro com qlqer crítica à autora como pessoa. Muito obrigada pelas palavras ! Um bjo e volte sempre.

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  4. Oii, quando vi sua postagem no grupo tive que vim ler e super concordo com você. Eu não sou fã dela, na verdade não sou de nenhum youtuber, mas você resumiu examente o livro. Comecei a ler e senti a nescidade de não ler mais, eu ameeeeeeeei sua resenha. Incrível, uma resenha sincera sem xingamentos, com conteúdo e com ótimas críticas. Parabéeeeens ❤️

    Bjoos Miih

    www.descafeinadas.com.br

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    1. Oi Miih ! Mto obrigada e olha que legal, vc tbém faz resenhas, já estou visitando o seu tbém ... e dando uma olhada inicial nas primeiras pag vi que vc tem várias resenhas de livros bem diferentes dos que leio .. isso é maravilhoso ! Pq eu acabo ficando mto restrita ao que é conhecido ou ao que é meio comercial demais, e acabo comprando pouco livros desconhecidos ... vai ser mto bom ver umas dicas de uns livros diferentes dos que estou habituada pra ler. Eu acabo não expandindo mto por insegurança mesmo em arriscar. Obrigada pela visita, Bjs !

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  5. Muito bacana sua resenha. Falou sobre o livro com propriedade, colocou informações a mais e deu a sua opinião de uma maneira bem bacana. Parabéns.
    E melhor de tudo deixou a gente com vontade de conferir mais sobre o livro e a autora

    Bjos
    Pri
    http://www.styledchicas.blogspot.com.br

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