10 de fevereiro de 2014

Sopa de Letrinhas: A menina que roubava livros

Pelas minhas contas, levei algo em torno de 8 dias para terminar o livro.  A ansiedade era tanta, que fiz algo bem raro, pra não dizer único: interrompi a leitura de A Hospedeira, pra poder dar conta de ler este antes que o filme saia de cartaz.

Nem porisso, li de forma displicente. Essa obra merece uma leitura atenta. Exige uma certa calma, um inspirar fundo, um processar de frases, uma imaginação borbulhante ao longo das passagens.

Eu não sei como descrever este livro ... ele é tão peculiar, tão profundo, tão único. Não é uma mera questão da história ... mas a maneira como ela é contada ... e claro, por quem ela é contada. Só isto já faz deste livro, algo surreal: pra quem não sabe, a narrativa fica por conta da Morte. Exatamente, a Morte, a mulher da capa preta sabe ... e ela tem um jeito muito interessante de olhar pra nós, humanos. Ainda que ela pareça muito humana em diversos aspectos, no fundo vive à nossa margem. O olhar dela sobre os humanos é  cheio de poesia. Na impossibilidade de sentir todas as emoções humanas, ela retrata alguns desses sentimentos na base de cores. Cores, texturas, poesia.

Ao final deste livro, você com certeza terá um outro olhar sobre a Morte. Ao menos, talvez a respeite mais.

Bom, mas a personagem principal, é claro, fica por conta da menininha, Liesel ... a roubadora de livros. Uma garotinha atravessando uma guerra e enfrentando a miséria e todos os percalços que a guerra traz ... mas vivendo a sua infância da maneira mais plena que lhe fosse possível. A vida dela poderia ser só tristeza e choro, no entanto ela segue a sua vida e suas batalhas pessoais quanto a convivência em família, com a escola, ou mesmo na relação de amor e amizade. A fome e a morte são cenários, que por vezes se tornam grandiosos e tomam toda a cena e por outras vezes, não passam disso ... um fundo pra história das batalhas pessoais e o crescimento dessa garotinha.

Há uma fome constante nessa história. A fome pelo alimento é uma realidade mas é pequena diante da fome imensa que Liesel tem pelos livros e suas histórias. A fome pela leitura faz dela uma garota muito especial. E é importante ressaltar que a fome pelas palavras não só marcará sua infância como traçará todo o seu destino. 

Outro ponto importante é a época onde a história se passa. A guerra no caso é a Segunda Guerra Mundial. E claro, o nazismo está muito presente. Afinal, a roubadora de livros é uma alemã. Uma garotinha alemã crescendo e estudando numa Alemanha nazista. É uma oportunidade única, para se repensar acerca do povo alemão da época e as repercussões do nazismo sobre a vida de todos, em especial daqueles que ousavam ir contra o sistema.

Junto e misturado, o caldeirão de emoções do livro traz também consigo manifestações diversas de caráter, de dignidade, de humanidade. Diria que é um livro sobre pessoas do bem. Sobre como a bondade pode se manifestar de diferentes (e por vezes esquisitas) formas. As vezes a bondade está submersa e é bem difícil de ser detectada. Você descobre que a própria Morte pode ter seus atos e pensamentos de bondade. 

Não posso contar muito sobre porque a garotinha é uma roubadora de livros, o que faz dela tão especial, quem são os personagens principais. Não consigo resumir essa história.  O que posso dizer, é que o livro é emocionante, comovente, envolvente ... o magnetismo dele é imenso e pra mim foi impossível parar de lê-lo. Esse livro não merece uma sinopse. Ele simplesmente merece ser lido. Com todo seu coração !


Qual livro ? A Menina que roubava Livros
Quem escreveu ? Markus Zusak
E a editora ? Intrínseca. Já notaram como essa editora lança livros e mais livros bacanas ?
Do que se trata ? A história é uma narrativa, contada pela própria Morte. No decorrer do livro, descobrimos que a Morte tropeçou no caminho de Liesel, a personagem principal, por 3 vezes. E essa garotinha tinha uma história tão peculiar, que a Morte resolveu contar a sua história. Liesel era uma criança quando se viu no meio de uma guerra, perdeu o irmão, foi abandonada pela mãe. Passou a ser criada por um casal estranho em uma nova cidade. E lá, teve que descobrir algum sentido em sua vida. Não fez disso uma busca. Foi a própria vida que se encarregou de buscar por ela e lhe oferecer as mais diversas batalhas, pra que ela pudesse se descobrir como filha, como amiga, como uma adolescente com o coração inquieto, se descobrir como um ser humano digno.  E os livros tem uma importância fundamental no decorrer dessas descobertas.
E a linguagem ? Não é difícil, mas a história é densa por retratar muitas emoções e pela simbologia e poesia usados volta e meia pela Morte na sua narrativa. Requer uma leitura calma e cuidadosa.
Recomenda ? Leitura obrigatória. Leia e se apaixone por essa doce garotinha e sua história !
Alguma dica ? Não se esqueça que foi lançado também o filme.


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